Com foco na investigação da transmissão de bactérias entre cães e humanos, uma pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) já apresenta resultados relevantes para a saúde pública e a medicina veterinária no estado. O estudo mostra como a convivência próxima entre tutores e seus animais pode favorecer a circulação de microrganismos. Segundo a pesquisa, essa interação contribui diretamente para a abordagem de saúde única.
Intitulada Detecção Molecular de Bactérias Periodontopatogênicas em Cães e Fatores de Risco de Transmissão Horizontal para Humanos, a pesquisa analisou a presença de bactérias associadas à doença periodontal em cães e seus tutores. Em um contexto em que o acesso a serviços veterinários especializados ainda é limitado, o estudo reforça a necessidade de prevenção, conscientização e formulação de políticas públicas voltadas ao cuidado integrado da saúde animal e humana, especialmente entre populações mais vulneráveis.
A pesquisa é desenvolvida por Thiago de Almeida Bezerra, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), sob orientação da professora doutora Ana Lúcia Abreu Silva. Alinhado à campanha Abril Laranja, voltada à conscientização e ao combate aos maus-tratos contra animais, o estudo reforça que cuidar da saúde dos animais também é uma forma de proteção e respeito. Ao apoiar pesquisas com esse foco, a Fapema contribui para o avanço científico e para a promoção do bem-estar animal e da saúde coletiva.
Utilizando a técnica de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), foram examinadas amostras de saliva coletadas no Hospital Veterinário Universitário da UEMA, além da aplicação de questionários sobre hábitos de convivência. Os resultados mostraram que mais da metade dos cães analisados apresentava essas bactérias, que também foram identificadas em parte significativa dos tutores, indicando circulação entre espécies. Em um dos casos, o sequenciamento genético revelou semelhança entre cepas encontradas no cão e no tutor, sugerindo possível transmissão no ambiente domiciliar.
A pesquisa também destacou comportamentos de risco. Foi identificado que muitos tutores mantêm contato próximo com seus animais, permitindo lambeduras no rosto e o compartilhamento de espaços, como a cama, sem a adoção de práticas adequadas de higiene ou acompanhamento odontológico veterinário — fatores que podem facilitar a transmissão bacteriana.
“O estudo demonstra que a saúde bucal dos animais está diretamente relacionada à saúde humana. A convivência próxima, sem os devidos cuidados, pode representar um risco real de transmissão de bactérias”, pontua o pesquisador Thiago Bezerra. Ele ressalta que o apoio da Fapema assegurou a execução do estudo, garantindo infraestrutura, materiais e suporte técnico para análises avançadas, como PCR e sequenciamento genético. Esse incentivo fortalece a produção científica no Maranhão e amplia o conhecimento sobre os riscos associados à interação entre humanos e animais.
Fonte: Secom Maranhão