A Polícia Federal apreendeu uma expressiva quantia em dinheiro em espécie durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã de quinta-feira (18). Uma parcela de US$ 49 mil estava guardada na Suíte Alvorada do Brasília Palace Hotel, quarto de luxo ocupado desde março de 2023 pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do Governo no Senado. As diárias do local são pagas com recursos públicos da cota parlamentar e do auxílio-moradia do congressista, modalidade que não possui ilegalidade. Além do montante na capital federal, as buscas em Salvador (BA) resultaram na apreensão de mais US$ 6.175 e 33,5 mil euros.



A investigação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura se Jaques Wagner atuou no Congresso Nacional para beneficiar interesses do Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro — atualmente preso em Brasília.
A PF aponta suspeitas de interferência política em uma emenda a uma Medida Provisória sobre a ampliação de crédito consignado. Conforme os investigadores, a tramitação coincidiu com relações contratuais entre o banco e uma empresa de Bonnie Bonilha, esposa do enteado do senador. Outro ponto analisado é uma emenda do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para elevar o teto do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão, o que favoreceria as operações do Master.
Mensagens interceptadas pela PF expõem diálogos entre Wagner e o ex-sócio do banco, Augusto Lima. Em um dos textos enviados ao petista sobre a venda do Master ao Banco de Brasília, Lima afirmou: “você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”. Na decisão judicial, o ministro André Mendonça destacou que o teor da conversa indica que o senador era um “interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.
Jaques Wagner: Em entrevista à BandNews, o senador declarou estar “tranquilo” e garantiu que o dinheiro provém de diárias acumuladas e não utilizadas em missões oficiais internacionais. “Os envelopes, inclusive, no caso de Brasília, eram os envelopes com o timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie em dólar”, justificou. Em nota, sua assessoria negou qualquer atuação em favor do Master ou de outra instituição financeira, frisando que o parlamentar não é réu e que o apartamento de luxo citado na investigação jamais pertenceu ao seu patrimônio.
Defesa de Augusto Lima: Os advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello classificaram as buscas como “desnecessárias”, alegando que Lima está há seis meses à disposição das autoridades. A defesa acrescentou que as diligências vão provar a licitude dos fatos e que o empresário sempre atuou estritamente dentro dos limites da lei.
Fonte: Poder 360