O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rebateu publicamente declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sobre um suposto acordo envolvendo a derrubada de vetos presidenciais e a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito.
Alcolumbre negou de forma enfática qualquer negociação. “Fiquei estarrecido com as declarações do presidente do PL. Pessoas que se acham no direito de inventar coisas. O nome daquilo é mitômano. Eu nunca tratei com Valdemar em relação a este assunto”, afirmou. Segundo ele, não houve conversas sobre vetos ao projeto da dosimetria nem sobre a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master. O senador também destacou que ainda não há data definida para a próxima sessão do Congresso que analisará os vetos.
A fala de Valdemar ocorreu no início do mês, durante entrevista a um programa de TV, mas voltou a repercutir nas redes sociais nos últimos dias. Na ocasião, o dirigente do PL afirmou ter discutido com o senador Rogério Marinho uma proposta em que a oposição aceitaria votar a derrubada do veto ao projeto da dosimetria em troca da não instalação de uma CPI do Banco Master.
O projeto em questão foi vetado integralmente em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta previa a redução de penas de condenados por atos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. O Congresso, no entanto, ainda pode reverter a decisão presidencial, desde que alcance os votos necessários: ao menos 257 deputados e 41 senadores.
Nos bastidores, tanto Alcolumbre quanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), têm se posicionado contra a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master. A avaliação é de que a comissão poderia ser utilizada como instrumento político em ano pré-eleitoral.
O caso ganhou ainda mais complexidade após revelações envolvendo o dono do banco, Daniel Vorcaro. Em conversas privadas, ele teria citado Motta como “amigo” e mencionado uma visita não anunciada à residência oficial do Senado. O episódio aumentou a tensão em torno da possível investigação parlamentar.
Alcolumbre também tem criticado a condução da CPMI do INSS, presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), após o vazamento de dados sensíveis de Vorcaro. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro André Mendonça determinou que informações sigilosas fossem analisadas previamente pela Polícia Federal antes de serem compartilhadas com a comissão.
Mesmo com restrições judiciais, a Polícia Federal informou nesta quarta-feira que dados do celular de Vorcaro, anteriormente excluídos, foram reinseridos nos sistemas da CPMI após solicitação à empresa Apple. O episódio levantou questionamentos sobre a preservação de sigilo e o controle das informações sensíveis.
Nos bastidores, Alcolumbre tem indicado que não pretende apoiar a prorrogação da CPMI do INSS, cujo encerramento está previsto para o próximo dia 28. Ainda assim, o senador afirma que respeitará eventual decisão do STF. O pedido de extensão está sob relatoria do ministro André Mendonça, que deverá decidir nos próximos dias.
Fonte: G1