O deputado federal Luciano Bivar (PE), ex-presidente do União Brasil, fez graves acusações contra integrantes da cúpula do partido, afirmando que estão “diretamente ligados” à organização criminosa investigada na Operação Overclean, que desbaratou um esquema de fraude de licitações para desvio de recursos de emendas parlamentares. A operação da Polícia Federal já citou pessoas próximas ao senador Davi Alcolumbre (AP) e ao deputado Elmar Nascimento (BA), ambos do União Brasil, que negam qualquer envolvimento no caso.
Bivar, em entrevista à CNN, comparou a organização criminosa à “milícia do Rio de Janeiro”, dizendo que era muito mais sofisticada. Um dos 17 presos na operação é o empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, que, segundo apuração da CNN, é membro da direção do União Brasil e foi colocado no cargo pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, de quem é próximo. Bivar sugeriu que Moura poderia ter sido um “laranja muito bem remunerado” no esquema.
De acordo com a investigação, Moura compartilha um avião com Renata Magalhães, irmã de ACM Neto, embora ela não tenha sido alvo da operação. O esquema investigado pela PF atuava em estados como Bahia, Goiás, Amapá, Rio de Janeiro e Tocantins, mas uma planilha apreendida na operação revelou contratos em 12 estados. Bivar descreveu o esquema como algo “nunca visto antes”, envolvendo prefeitos, ex-prefeitos, governadores e deputados.
Racha no União Brasil
Diante da gravidade das acusações, Bivar afirmou que está considerando entrar na Justiça para destituir a atual executiva do União Brasil, comandada por Antônio Rueda, atual presidente do partido. Bivar alegou que o partido está “esfacelado” e que a eleição para escolher o novo líder da legenda na Câmara, que ocorreria nesta semana, precisou ser adiada para fevereiro, refletindo o atual racha interno no partido. A disputa pela liderança do União Brasil se intensificou após uma queda de braço entre Bivar e Rueda no início do ano, marcada por acusações mútua que incluíam o furto de dólares e até o incêndio na casa de praia de um dos envolvidos.
A CNN tentou contato com ACM Neto e Antônio Rueda, mas ainda não obteve resposta.