Dois dias após os Estados Unidos realizarem uma ação militar na Venezuela, que resultou na captura do líder Nicolás Maduro, o governo brasileiro avalia o cenário como um “território desconhecido” e decidiu agir com prudência no campo diplomático. A orientação do Palácio do Planalto e do Itamaraty é reafirmar de forma enfática a defesa da soberania nacional e do princípio da não-intervenção, sem transformar a crise em palco de disputas políticas ou personalizar o conflito.
Em publicação nas redes sociais no sábado (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação norte-americana como a ultrapassagem de “uma linha inaceitável” e alertou para um “precedente extremamente perigoso” para a comunidade internacional, sem mencionar diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump, ou Maduro. A mesma linha foi seguida em um comunicado conjunto divulgado no domingo (4) por Brasil, Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai, que rechaçou a operação militar por contrariar o direito internacional e ameaçar a estabilidade regional, além de expressar preocupação com tentativas de controle externo sobre recursos estratégicos venezuelanos.
Integrantes do governo avaliam que a posição brasileira não deve comprometer a relação recentemente retomada com os Estados Unidos. Segundo interlocutores do Planalto, a defesa da soberania é uma linha já conhecida por Washington e a manifestação atual representa apenas a reafirmação de princípios constitucionais da política externa brasileira. A estratégia, afirmam, é manter o foco na diplomacia, evitar menções pessoais aos líderes envolvidos e reduzir o risco de que a crise seja convertida em disputa retórica ou palanque político.
Com informações da CNN Brasil