O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou estar tranquilo diante das investigações envolvendo o Banco Master e que acabaram mencionando seu nome em mensagens analisadas pela Polícia Federal. Segundo o parlamentar, não há irregularidades em sua atuação e parte das interpretações divulgadas seriam “narrativas fabricadas”. Ele também declarou que apoiaria a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso.
Mensagens encontradas pela polícia no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, durante investigações da chamada Operação Compliance, citam um “Ciro” em conversa com o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP). No diálogo, Pinato escreve: “Oi, amigo, precisamos fazer a videoconferência, eu, você e Ciro”. O empresário responde: “Opa, vamos. Só me chamar”.
Pinato afirmou que a menção não se refere ao senador piauiense, mas ao advogado Ciro Soares. Segundo o deputado, Soares teria sido procurado por representantes do banco para tentar viabilizar uma aproximação institucional relacionada a interesses da instituição na China. À época, Pinato presidia a Frente Parlamentar Brasil-China na Câmara dos Deputados.
O advogado confirmou a versão e afirmou que intermediou o contato porque tinha relação profissional com o banco e conhecia o parlamentar. De acordo com ele, a iniciativa visava discutir a abertura de uma extensão do banco no país asiático, projeto que acabou não avançando.
Apesar da explicação, outras mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram Vorcaro se referindo a Ciro Nogueira como um “grande amigo de vida” em conversas privadas, além de mencionar encontros com lideranças políticas e autoridades, como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Em entrevista, Ciro Nogueira afirmou que sua atuação no Senado segue critérios técnicos e de interesse público. Segundo ele, os únicos interesses que atende em seu mandato são os da população brasileira, especialmente do estado do Piauí.
O senador também comentou uma emenda apresentada por ele relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De acordo com o parlamentar, a proposta buscava atualizar valores que estariam defasados por falta de correção inflacionária e por diferenças em relação ao cenário internacional.
“Infelizmente, por pressões externas, a emenda foi rejeitada. Isso impediu uma medida que beneficiaria correntistas vítimas de abusos de um banco”, afirmou.
A investigação contra o Banco Master avançou com a 3ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 4 de março de 2026 e autorizada pelo ministro do STF André Mendonça.
Entre os principais alvos de prisão preventiva estão:
Segundo a Polícia Federal, a operação investiga uma rede de crimes financeiros, incluindo fraudes bilionárias com venda de títulos de crédito falsos e movimentações irregulares que podem chegar a R$ 22 bilhões, além de suspeitas de espionagem, ameaças e corrupção de servidores do Banco Central do Brasil.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 em meio às suspeitas de irregularidades. As investigações continuam em andamento.
Fonte: Opinião e Notícia