O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apresentou nesta terça-feira (26) o plano de trabalho da comissão que investiga o esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. O documento detalha os principais alvos da investigação, que incluem fraudes em assinaturas, criação de associações de fachada e manipulação de dados de aposentados.
Entre os pontos centrais, estão o uso de “laranjas” para administrar entidades envolvidas nas irregularidades, suspeitas de pagamento de propina a parentes de servidores do INSS por meio de empresas e a participação de membros da organização criminosa em áreas estratégicas do poder público. Segundo Gaspar, o fluxo financeiro será rastreado para identificar beneficiários dos valores desviados, incluindo pessoas físicas, sindicatos e empresas.
A CPMI também apurará possíveis crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, concussão e formação de organização criminosa. Os nomes de três suspeitos com papel-chave no esquema foram destacados: Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, Domingos Sávio de Castro e Maurício Camisotti.
A investigação abrange um período que vai do segundo mandato de Dilma Rousseff até o atual governo de Lula, passando pelas gestões Temer e Bolsonaro. O objetivo, segundo o relator, é identificar “organizações criminosas com tentáculos nos poderes constituídos, no setor empresarial e no mercado financeiro”.
Gaspar afirmou que busca um relatório de consenso com os parlamentares da base governista, mas reforçou que os trabalhos não terão viés político. “Serei duro e implacável com todos aqueles que cometeram crime, independentemente de qual governo tenha participado”, disse.