O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou nesta terça-feira (7) um conjunto de medidas em estudo pelo governo federal para enfrentar o alto nível de endividamento e inadimplência das famílias brasileiras, que atingiu recordes recentes. Entre as propostas em análise, está a possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como instrumento para auxiliar na quitação ou refinanciamento de dívidas.
Segundo o ministro, o pacote deve contemplar diferentes públicos, como famílias, trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas, com foco na renegociação de débitos em condições mais favoráveis. A intenção é “reperfilar” as dívidas e oferecer alternativas que permitam a recuperação financeira desses grupos.
A eventual liberação do FGTS para esse fim ainda está sendo avaliada em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego. De acordo com Durigan, a medida dependerá de análises sobre sua viabilidade e impacto no fundo. Ele destacou que a decisão não será unilateral e envolve também o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
As propostas foram discutidas em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes do governo, incluindo representantes da Casa Civil, Planejamento e Orçamento e Secretaria de Política Econômica. A expectativa é que o pacote final seja concluído nos próximos dias.
O tema ganhou destaque nas últimas semanas, com o presidente Lula cobrando soluções para o problema, considerado estratégico em meio ao cenário econômico e político atual. O ministro também se reuniu com parlamentares da bancada do PT na Câmara dos Deputados, onde apresentou ações do governo e ouviu sugestões.
Entre as ideias debatidas está a criação de mecanismos para limitar o endividamento associado a apostas esportivas, com o objetivo de evitar que consumidores voltem a se endividar após renegociações.
Dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reforçam a preocupação do governo. Em março, o percentual de famílias endividadas chegou a 80,4%, o maior da série histórica. Já a inadimplência permaneceu em 29,6%, nível elevado, enquanto 12,3% dos entrevistados afirmaram não ter condições de quitar suas dívidas.
O cenário evidencia a pressão sobre o orçamento das famílias e reforça a urgência de medidas para aliviar o endividamento no país.
Fonte: Metrópoles