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Merlong Solano ataca Flávio Bolsonaro por contradições no caso Banco Master e polêmica religiosa

TERESINA — O deputado federal e candidato à reeleição Merlong Solano (PT-PI) subiu o tom contra o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Em publicação feita na plataforma X nesta quinta-feira (1), o parlamentar piauiense acusou o adversário político de apresentar versões falsas a respeito de suas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, e questionou a credibilidade do presidenciável junto ao eleitorado católico.

No texto compartilhado em suas redes sociais, Solano listou as principais negativas apresentadas por Flávio Bolsonaro ao longo das investigações: “Flávio Bolso mentiu sobre Banco Master. Disse que não conhecia Daniel; que não tinha recebido dinheiro e que não tinha usado avião de Vorcaro. MENTIRAS COMPROVADAS”. Na sequência, o petista buscou relacionar o escândalo financeiro a uma recente crise envolvendo a pauta de costumes e a campanha do PL: “Então, quem vai acreditar quando ele diz não concordar com a perseguição à devoção a Nossa Senhora Aparecida???”.

O cerne do desgaste: jato privado e cinebiografia

A manifestação de Merlong Solano faz referência a revelações recentes da imprensa e a inquéritos conduzidos pela Polícia Federal (PF). Flávio Bolsonaro, que inicialmente negou ter proximidade com Vorcaro, viu sua defesa ser contestada por relatórios que apontaram negociações de R$ 134 milhões com o ex-banqueiro para financiar Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O cenário se agravou na última semana, quando registros de voos revelaram que o senador e sua família viajaram da Flórida (EUA) para Brasília, em janeiro de 2025, a bordo de um jato executivo de luxo associado a empresas controladas por Daniel Vorcaro. Embora Flávio sustente publicamente que o deslocamento foi uma cortesia de seu amigo e advogado Willer Tomaz, que detém um terço da aeronave, a oposição tem explorado politicamente o episódio como evidência de uma suposta contradição recorrente.

Da crise financeira ao palanque religioso

Ao citar a “devoção a Nossa Senhora Aparecida”, o candidato do PT do Piauí explora outro ponto sensível da campanha de Flávio Bolsonaro. O debate religioso ganhou força após a circulação de antigas declarações do senador nas quais ele prometia “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, fala interpretada por opositores e por setores católicos como uma ameaça velada ao status da padroeira oficial do país.

Para conter o desgaste político e reatar pontes com parcelas importantes do eleitorado, Flávio Bolsonaro chegou a erguer uma imagem da santa durante um ato de campanha em São Paulo, classificando as acusações como a “maior fake news” da corrida presidencial.

A estratégia adotada por Merlong Solano indica que setores da esquerda pretendem explorar as controvérsias relacionadas ao caso Banco Master para questionar a confiança e a imagem de moderação que o senador busca projetar nesta reta final do primeiro turno.

Reportagem: Larisse Lopes

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