Um estudo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) estima que o reajuste do salário mínimo em 2026 deve gerar um impacto de R$ 82 bilhões na economia brasileira. Neste ano, o piso nacional de remuneração completa 90 anos e a data será celebrada nesta sexta-feira (16), em cerimônia na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o evento, será lançada uma medalha comemorativa alusiva às nove décadas do salário mínimo.
O novo valor do salário mínimo, em vigor desde 1º de janeiro, é de R$ 1.621, o que representa um aumento de R$ 103 (6,79%) em relação a 2025, quando o piso era de R$ 1.518. Segundo o levantamento da Secom, obtido com exclusividade pelo portal Metrópoles, a política de valorização do salário mínimo beneficia diretamente cerca de 62,3 milhões de pessoas, quase um terço da população brasileira. Deste total, 29,4 milhões são aposentados e pensionistas que recebem benefícios vinculados ao piso nacional.
De acordo com o estudo, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, o salário mínimo acumulou ganho real de 11,8% acima da inflação, após a retomada da política de valorização no terceiro mandato do presidente Lula. A diretriz havia sido interrompida entre 2019 e 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A regra atual de correção foi restabelecida pela Lei nº 14.663/2023 e determina que o reajuste considere a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) somada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, respeitando o teto de ganho real de 2,5% previsto no arcabouço fiscal para o período de 2025 a 2030.
Criado em 1936 pela Lei nº 185 e implementado durante o governo de Getúlio Vargas, o salário mínimo surgiu como resposta às condições precárias de trabalho da época, marcadas por longas jornadas e baixos salários. Ao longo da história, a política passou por períodos de valorização e de perda do poder de compra, especialmente em contextos de alta inflação e instabilidade econômica, como durante a ditadura militar e nas décadas de 1980 e 1990.
Com informações do Metrópoles